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terça-feira, 1 de maio de 2018

Gostaria de investir em acções, mas não sei por onde começar?

Um certo dia, um jovem cheio de energia e de sonhos, decidiu comprar um bilhete de comboio e embarcar naquela que seria simultaneamente uma aventura e a viagem da sua vida. O destino: a capital. Esse lugar por si desconhecido exercia nele um fascínio inexplicável, pelo que lia, pelo que ouvia dizer as pessoas, pelas imagens que via e criava. Na sua imaginação a capital era "O Lugar": das oportunidades de trabalho e de negócios, das casas grandes e luxuosas, dos carros e motos de alta cilindrada, da cultura e organização e cultura enfim, um lugar de sucesso onde tudo parecia perfeito.

Num misto de nervosismo e excitação esqueceu-se de questionar sobre a duração da viagem e o bilhete também não tinha essa informação. "Posso sempre perguntar ao revisor quando passar". pensou.
O tempo foi passando e para grande admiração do jovem, o comboio não fazia paragens em nenhumas estações e consequentemente ninguém entrava ou saia. E do revisor nem sinal.
Sem ter com quem falar ou sequer trocar impressões, ainda que banais, restava-lhe apreciar a paisagem pela janela, a beleza do entardecer e saborear a tranquilidade que o silêncio lhe proporcionava.
O abrandamento do comboio fê-lo despertar dos seus pensamentos. O seu estômago contraiu-se. Disse para consigo: "Cheguei! Eu consegui." Ao sair da carruagem e ao pisar solo citadino sentiu-se realizado, mas a felicidade que sentia foi subitamente assombrada: "E agora?". Era quase noite, o lugar desconhecido, os transeuntes estranhos e o jovem sem roteiro ou destino.
Após um rápido reconhecimento visual à área circundante, e ainda indeciso, ouviu vozes e deixou-se levar até elas. Parou diante de um majestoso edifício, que apesar da hora, tinha a porta aberta.
Na esperança de ali encontrar as respostas que pretendia, subiu os três degraus da entrada e lentamente percorreu o corredor que o levava até às tais vozes que ouvia.
Outra porta. As vozes cessaram e deu por si numa sala onde um senhor de cabelo grisalho, de costas voltadas para a porta, pintava uma tela de grandes dimensões. Sem se voltar, o senhor convidou o jovem a entrar. Por sua vez, este começou a justificar-se, atropelando as poucas palavras e esforçando-se para que fosse credível. A dado o momento o pintor indicou-lhe a direcção da cozinha onde poderia encontrar comida acabada de fazer. E deduzindo que não teria onde dormir e que estava cansado ofereceu-lhe o sofá para pernoitar.
Sensibilizado com a atitude daquele desconhecido, e como não estava em posição de recusar  qualquer ajuda, aceitou de bom grado. Durante e após a refeição, o jovem, sempre observador, reparou que aquele espaço tinha muito poucas peças de mobiliário comparativamente com uma casa comum e que, em oposição a isso, havia quadros empilhados e distribuídos por todo o lado.
Interiormente justificou tal facto como aquele sendo somente um local de trabalho. Ao sentir o regresso do seu "hóspede" e sem desviar o olhar da tela, o pintor discursou sobre a cidade, a localização daquele espaço/atelier, locais a visitar, melhores trajectos, bem como o alertou para a inexistência de transportes públicos naquela rua.
O jovem esforçou-se para absorver toda a informação oferecida. Com esta, foi-lhe ainda dito onde encontraria um mapa, algo que lhe seria muito útil. O jovem sentiu-se afortunado e grato por toda aquela oportunidade, pelo ambiente, conforto (emocional) e pela imediata empatia que estabeleceu com o artista.
Entregue aos seus pensamentos, nem reparou que o senhor de cabelos grisalhos deixara de pintar e o fixava. Quando se apercebeu ficou atrapalhado e envergonhado, não queria de todo parecer ingrato.
Com um ténue sorriso e um ligeiro brilho no olhar, o pintor desafia o jovem: "Queres pintar?
Tens todo o material de que precisas: telas, pincéis, cavalete... aproveita, usufrui e relaxa."
O jovem sentiu-se instigado mas perdido. O que lhe estavam a propor era óptimo, algo que nunca pensou em fazer, mas daí a ousar experimentar... O que pintaria? E quem seria afinal aquele homem, que não o conhecendo o acolheu e ainda lhe disponibilizou a matéria prima do seu trabalho? Ainda muito hesitante, escolheu uma tela, colocou-a lentamente no cavalete e sentou-se no pequeno banco de madeira. "Seria ele também capaz de criar quadros de tamanha beleza?" pensava.
Arriscou. E a tela ganhava forma a cada pincelada, a cada cor quando, num infeliz descuido, a deixou cair no chão e a estragou. Ficou desesperado, envergonhado, chateado consigo quer pela negligência quer pelo desperdício de recursos. Contrapondo esta atitude, o pintor permanecia imperturbável e incentivava-o a recomeçar.
Espantado pela ausência de qualquer repreensão ou expressão de desagrado, o rapaz recusou-se a pegar noutra tela. E esteve assim durante alguns minutos, mas não resistiu e, cedendo à tentação, pegou noutra tela. E novamente as cores a preenchiam. Desta vez era uma paisagem e estava a gostar do resultado, mas a inexperiência fez com que a tentativa de realçar as árvores tivesse um desfecho desastroso. Aborrecido, trocou aquela tela por outra nova e entregou-se novamente à magia de criar. E assim esteve algumas horas, numa busca incessante da obra perfeita, sem sucesso, mas cada vez com mais vontade de a alcançar. De repente... era a última tela disponível, a última tentativa para realizar o seu inesperado desejo: criar um presente para aquele homem, pela hospitalidade e  por tudo o que estava a fazer por ele. Com afinco e pinceladas, cores e ideias bem definidas, eis que alcançou o seu objectivo. Estava tão cansado devido à intensidade do dia que, enquanto apreciava a sua obra, recostado no sofá, adormeceu. Horas depois, quando acordou com a forte luz que atravessava as largas janelas daquele lugar, os seus olhos encontraram o seu quadro e sorriu: estava como pretendia.
Mas havia ali mais qualquer coisa, um bilhete. Levantou-se e leu "Acredito que esta tela seja importante para ti, pois vi o quanto te dedicaste. Tomei a liberdade de pegar nas tuas telas anteriores    e de as colocar por ordem na parede, junto ao meu quadro. Regresso brevemente. Ate lá, fica à vontade".
Olhou em redor, percebeu que estava sozinho. Todos os quadros ganharam uma beleza sem igual com a incidência da luz solar neles. Aproximou-se do quadro do seu mestre que estava envolto de um pano. Procurou os seus quadros, mas infrutíferamente. Até que um quadro lhe chamou particularmente a atenção, parecia um puzzle, mas incompleto. Instintivamente, pegou no "quadro perfeito" e pendurou-o no canto vazio. Afastou-se para apreciar melhor e ficou surpreendido. Aquelas eram mesmo as suas telas e juntas compunham uma obra da qual se orgulhava.
Como o senhor de cabelo grisalho não aparecia e a curiosidade relativamente à tela coberta pelo pano negro aumentava, não resistiu e pô-la a descoberto.
O jovem petrificou. Como era possível?! A imagem das suas várias telas era a mesma que estava concentrada numa só tela, a do seu mestre. Tal situação agitou bastante o rapaz que se movia freneticamente tentando encontrar um fio condutor, uma justificação lógica para o sucedido.
A demora do enigmático pintor possibilitou uma análise e observação mais atenta das obras.
Eram-lhe tão familiares! Remexeu em alguns e assustou-se com um em particular. Nele estava retratada a sua família. A surpresa fê-lo recuar, tropeçar, desequilibrar-se e cair no chão.
Ouviu vozes. Ouviu motores de carros. Devagar abriu os olhos . Olhou à sua volta e ficou baralhado. Afinal o que fazia naquele jardim? E o atelier? Os quadros? Não podia ter sido só um sonho, as imagens daquele lugar eram demasiados fortes, familiares e estavam bem presentes na sua cabeça. Ainda assim, reuniu forças, levantou-se e iniciou a sua caminhada.

Na sociedade actual, o tempo para a reflexão parece distorcido, escasso, até mesmo inacessível.
O ser humano tem sido submetido a estímulos que promovem impulsividade de diversos tipos.
Seja o inicio pelos mercados de acções  ou em qualquer outro projecto é essencial perceber o mais aproximadamente as motivações, os objectivos e as consequências que daí podem advir.
O inicio está em ti!
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